Argentina flexibiliza proteção de glaciares para viabilizar megaprojetos de mineração
O Congresso argentino aprovou uma lei que reduz a proteção legal de formações glaciais, abrindo caminho para grandes projetos de mineração em áreas ambientalmente sensíveis. A medida, aprovada por 137 votos a 111 na madrugada de quinta-feira, atende a uma demanda antiga do setor extrativista, mas acendeu alertas imediatos de grupos ambientalistas sobre riscos irreversíveis aos recursos hídricos e ecossistemas.
A flexibilização da Lei de Glaciares remove barreiras regulatórias que impediam a exploração mineral em zonas periglaciais e glaciais. A aprovação final pela Câmara dos Deputados segue o aval dado pelo Senado no fim de fevereiro, consolidando uma mudança estrutural no marco legal de proteção ambiental. O movimento beneficia diretamente grandes mineradoras com projetos parados há anos, principalmente na região andina rica em cobre, lítio e outros minerais.
A vitória legislativa reforça a agenda pró-mercado do presidente Javier Milei, que já havia aprovado uma reforma trabalhista neste ano. A medida coloca o governo em rota de colisão com a sociedade civil e especialistas ambientais, que alertam para a possibilidade de contaminação de fontes de água e degradação de ecossistemas únicos. O setor de mineração, no entanto, vê a nova lei como crucial para atrair investimentos bilionários e impulsionar as exportações argentinas em um momento de crise econômica.