Governo Lula planeja ajuste fiscal em 2026 e gatilhos inéditos para conter gastos em 2027
O governo Lula sinaliza que não recuará na disciplina fiscal durante o período eleitoral de 2026, preparando-se inclusive para acionar mecanismos inéditos de contenção de despesas no ano seguinte. Em entrevista à Reuters, o novo secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Mello, afirmou que o ajuste fiscal será mantido, independentemente do ciclo político, e que o Orçamento de 2027 contará com gatilhos adicionais para limitar gastos e benefícios fiscais. A declaração é um posicionamento claro contra a expectativa de que anos eleitorais sejam marcados por um relaxamento das contas públicas.
A afirmação foi feita por Mello em sua primeira entrevista após a transição da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda para o Planejamento. Segundo ele, sua mudança de pasta deve marcar uma fase de maior alinhamento e diálogo entre os dois ministérios, com foco central no aprimoramento dos mecanismos de gestão orçamentária. Ele destacou que todos os anos do governo atual tiveram medidas de ajuste, seja na receita, na despesa ou no desenho de programas, e que 2026 não será exceção.
A estratégia revela uma tentativa de institucionalizar o controle fiscal, antecipando pressões de gasto que tradicionalmente surgem em anos eleitorais. A promessa de gatilhos inéditos para 2027 coloca um novo instrumento de contenção no horizonte, transferindo parte do ônus político das decisões de corte para regras pré-estabelecidas. O movimento busca equilibrar a necessidade de credibilidade econômica com as demandas políticas do período, mantendo o governo sob escrutínio do mercado por sua capacidade de cumprir as metas fiscais mesmo em um contexto desafiador.