Itaú Asset Management surpreende mercado ao priorizar fundos baratos, mesmo com menor lucro
O maior banco privado do Brasil está promovendo ativamente produtos de investimento que reduzem sua própria receita. A Itaú Asset Management, braço de gestão do Itaú, está expandindo sua linha de fundos de índice (ETFs), modalidade conhecida por cobrar taxas administrativas significativamente mais baixas que os fundos tradicionais de gestão ativa. A estratégia representa uma virada de chave para uma instituição financeira, que tradicionalmente lucra com taxas mais altas.
A aposta é acompanhada por uma declaração direta do CEO da Itaú Asset, Carlos Augusto Salamonde: se o produto mais barato for o mais adequado para o cliente, é ele que deve ser recomendado. "Quem está ganhando é o cliente", afirmou Salamonde em entrevista. A lógica, segundo ele, é que um cliente bem atendido permanece no banco, enquanto um mal atendido vai embora, tornando a fidelidade a longo prazo mais valiosa que o lucro imediato com taxas.
O movimento coloca o Itaú na vanguarda de uma discussão sobre conflito de interesse no setor, onde distribuidoras internas frequentemente priorizam produtos que geram mais comissão. Salamonde afirma que a distribuidora do Itaú já superou esse conflito. A expansão agressiva em fundos de índice sinaliza uma pressão competitiva crescente e uma adaptação forçada às demandas por transparência e custos reduzidos, realinhando o modelo de negócios do banco com os interesses do investidor final.