UnB expõe padrão alarmante no DF: 82% das vítimas de estupro têm menos de 14 anos
Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) revela um padrão de violência sexual no Distrito Federal que atinge de forma brutal e desproporcional a infância. Os dados mostram que 82% das vítimas de estupro registradas têm menos de 14 anos, um percentual que expõe a falha sistêmica na proteção dos mais vulneráveis. O crime, portanto, segue um padrão claro de vitimização, concentrando-se justamente naqueles que mais deveriam ser resguardados pela sociedade e pelo Estado.
O estudo da UnB, ao detalhar esses números, vai além de uma simples estatística e aponta para uma realidade estrutural. A violência sexual no DF não é um fenômeno aleatório, mas se organiza majoritariamente contra crianças e adolescentes. A faixa etária predominante das vítimas – menos de 14 anos – desenha um cenário de 'infância roubada', onde a agressão ocorre no ambiente que deveria ser de segurança, seja familiar, comunitário ou de confiança.
A concentração esmagadora dos casos na população infantil coloca uma pressão direta sobre as instituições de proteção à criança e ao adolescente no Distrito Federal, como o Conselho Tutelar, a Vara da Infância e a Juventude e as delegacias especializadas. A pesquisa serve como um alerta contundente para a necessidade de revisão urgente das políticas públicas de prevenção, da eficácia das redes de apoio e dos mecanismos de denúncia e acolhimento. A falha em reverter esse padrão representa um risco contínuo e inaceitável para milhares de jovens.