Rússia propõe estoque de alimentos do BRICS contra crise no Irã e fechamento do Estreito de Ormuz
A Rússia, maior exportadora de trigo do mundo, está propondo a criação de um estoque conjunto de alimentos com os demais membros do BRICS e antigos vizinhos soviéticos. O objetivo declarado é combater os riscos à segurança alimentar global, diretamente ligados ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento prático do Estreito de Ormuz. A proposta foi feita por uma alta autoridade de segurança russa, sinalizando uma resposta estratégica coordenada a uma vulnerabilidade crítica: cerca de metade da produção mundial de alimentos depende de fertilizantes, e um terço do comércio global desses insumos passava por aquela rota marítima.
O Estreito de Ormuz, uma via navegável estreita ao longo da costa iraniana, tornou-se um ponto de estrangulamento desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Seu fechamento efetivo interrompe um fluxo vital para a agricultura global, elevando o risco de choques no abastecimento. A iniciativa russa busca, portanto, criar uma rede de segurança alimentar alternativa, fora das estruturas tradicionais dominadas pelo Ocidente, mobilizando aliados no bloco BRICS e na esfera de influência pós-soviética.
A medida coloca a segurança alimentar no centro da agenda geopolítica do BRICS, transformando-a de uma preocupação econômica em uma ferramenta de política externa e resiliência coletiva. A proposta surge em um momento de alta volatilidade nos preços das commodities, como demonstrado pela recente alta do petróleo Brent acima de US$ 100. Se implementada, essa reserva estratégica conjunta poderia alterar os fluxos de comércio agrícola e fertilizantes, conferindo maior influência ao bloco em crises futuras e aumentando a pressão sobre as cadeias de abastecimento globais já tensionadas.