PL dos Apps: Relatório de aliado de Hugo Motta gera impasse para Lula e protestos de entregadores
Um projeto de lei para regulamentar o trabalho por aplicativo, visto como crucial para a base eleitoral do governo, transformou-se em um impasse político explosivo para o presidente Lula às vésperas das eleições municipais. O relatório do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), um aliado do governo na Câmara, gerou protestos imediatos de movimentos de entregadores e do próprio Ministério do Trabalho, criando uma crise interna que ameaça a estratégia eleitoral do PT, especialmente em São Paulo, onde Guilherme Boulos é candidato.
O texto do relator, que deve ser votado em comissão especial, propõe uma regulamentação que, segundo críticos, consolida a precarização ao não garantir vínculo empregatício e direitos trabalhistas plenos. A reação foi imediata: o Ministério do Trabalho emitiu uma nota técnica contrária ao relatório, classificando-o como "retrocesso", enquanto coletivos de entregadores convocaram protestos em frente ao Congresso Nacional. O movimento é um golpe direto na tentativa do governo de apresentar uma solução para uma categoria que foi base de apoio em 2022.
O impasse coloca Lula em uma encruzilhada. Ceder à pressão dos movimentos e rejeitar o relatório de um aliado parlamentar pode quebrar a frágil base de apoio no Congresso e inviabilizar qualquer regulamentação antes das eleições. Por outro lado, avançar com uma proposta rejeitada pela própria base sindical e por parte do governo arrisca desmobilizar um setor-chave para a campanha de Boulos em São Paulo e manchar a imagem do PT como defensor dos trabalhadores. O governo tenta agora um acordo de última hora, mas o tempo e a pressão política são cada vez maiores.