Fuga de R$ 4,6 bi em abril: resgates aceleram em fundos de crédito privado e patrimônio encolhe
Os fundos de crédito privado enfrentam uma nova onda de saques, com resgates líquidos de R$ 4,6 bilhões registrados apenas nos primeiros oito dias de abril. A maior categoria da classe, que reúne fundos de renda fixa com liberdade para investir em papéis corporativos, viu seu patrimônio líquido recuar de R$ 725,2 bilhões para R$ 721,8 bilhões, segundo dados da Anbima. O movimento, porém, pode ser ainda maior do que os números iniciais sugerem.
A métrica oficial pode estar subestimando a pressão real de resgates devido às características do setor. Diferente dos fundos de ações, os fundos de crédito privado costumam operar com janelas de resgate de 30, 60 ou até 90 dias. Isso significa que pedidos de saque feitos em março só devem aparecer nos dados de abril ou maio. Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, alerta que "é muito provável que os resgates começaram a ser pedidos em março e só vão ser vistos melhor em abril, maio, até talvez depois".
Apesar da pressão, a indústria de fundos pode estar mais preparada para absorver essa saída de capital do que no ano passado. A exposição geral ao crédito é menor hoje do que em 2023, o que reduz o risco de vendas forçadas de ativos para honrar os resgates. No entanto, a aceleração dos pedidos de saque nos primeiros dias de abril sinaliza uma cautela persistente dos investidores e mantém o setor sob escrutínio.