PF cita 'pressão' no BRB sobre carteiras do Master e 'desprezo aos controles prudenciais'
A prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, nesta quinta-feira (16/4), expõe uma operação de risco sistêmico dentro do banco público. A Polícia Federal aponta que a gestão de Costa, suspeita de receber propina do grupo Master, foi marcada por uma "pressão" interna para que o banco assumisse carteiras de crédito do conglomerado, ignorando alertas e demonstrando um "desprezo aos controles prudenciais". A ação sugere que decisões de crédito de alto valor podem ter sido direcionadas por interesses particulares, colocando em xeque a governança e a saúde financeira da instituição.
Os documentos da PF detalham que a pressão exercida sobre a diretoria do BRB visava garantir a absorção de operações do Master, um grupo com histórico de dívidas e recuperação judicial. A investigação alega que Costa, em troca de vantagens indevidas, teria facilitado esse processo, desconsiderando análises técnicas e salvaguardas regulatórias. A prisão ocorre no âmbito da Operação Édipo, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o grupo e agentes públicos.
O caso coloca o BRB sob intenso escrutínio, levantando questões sobre a exposição do banco a créditos problemáticos e a possibilidade de prejuízos significativos. A alegação de "desprezo aos controles" atinge o núcleo da função de um banco público, sinalizando um risco operacional e de reputação que pode afetar sua estabilidade e a confiança de depositantes e investidores. A investigação segue para apurar a extensão dos prejuízos e a participação de outros agentes na suposta fraude.