Controladoria do RJ inicia auditoria massiva: 6.758 licitações e 13.615 contratos diretos sob investigação
Uma devassa sem precedentes na administração pública fluminense foi deflagrada. A Controladoria-Geral do Estado (CGE) tem apenas 45 dias para analisar uma avalanche de documentos: 6.758 contratos ativos com valores superiores a R$ 1 milhão e 13.615 procedimentos realizados sem licitação nos últimos 12 meses. A ordem, determinada pelo governador em exercício Ricardo Couto, coloca sob o microscópio todas as secretarias, autarquias e empresas públicas do estado, com foco em eventuais irregularidades nas contratações da gestão anterior.
O pente-fino, que já está em andamento, não se limita às compras. A auditoria também mira a folha de pessoal, onde um dado salta aos olhos: nos últimos cinco anos, o número de cargos comissionados — funcionários indicados politicamente — no governo do Rio de Janeiro cresceu 47%. Essa expansão acelerada do quadro de confiança agora é alvo de escrutínio, somando-se à análise dos milhares de editais e contratos diretos.
A pressão pelo resultado rápido é intensa. O desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça que assumiu o governo após a renúncia de Cláudio Castro, aguardou alguns dias antes de mover as peças na máquina pública. A janela de 45 dias para a CGE concluir a triagem inicial desta montanha de processos coloca os técnicos contra o relógio, sob a expectativa de que a operação exponha falhas contratuais e possíveis desvios em um dos orçamentos mais robustos do país. O foco imediato é mapear o terreno, mas as descobertas devem gerar ondas de consequências administrativas e políticas.