Governo autoriza recontratação da usina a carvão de Candiota (J&F) até 2040, contrariando pressão ambiental
O Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria aprovando a minuta do novo contrato da usina termelétrica a carvão de Candiota, no Rio Grande do Sul, pertencente ao grupo J&F. A autorização garante a operação da planta até 2040, cumprindo uma determinação legal do ano passado que gerou forte reação de ambientalistas e de parte do setor elétrico, mas atende a uma demanda da comunidade local dependente da mineração de carvão.
O contrato, que passou por consulta pública, estabelece uma receita fixa anual de R$ 859,8 milhões para a usina, equivalente a R$ 540,27 por megawatt-hora (MWh). A decisão consolida um subsídio de longo prazo para uma fonte de energia fóssil em um momento de transição energética global, mantendo a dependência econômica de uma região específica e criando um ativo regulado para o conglomerado J&F por mais 16 anos.
A medida coloca o governo em uma posição de tensão, equilibrando uma obrigação legal e pressões políticas regionais contra a crescente crítica ambiental e a direção do setor elétrico, que busca fontes mais limpas. A recontratação até 2040 sinaliza um compromisso de longo prazo com o carvão, isolando a usina de Candiota das tendências de descarbonização e garantindo seu fluxo de caixa previsível, enquanto expõe o Executivo a riscos reputacionais e a questionamentos sobre a coerência da política energética nacional.