Canadá barra vistos de dirigentes palestinos antes de congresso crucial da FIFA
O Canadá negou os vistos de três representantes da Associação de Futebol da Palestina (PFA) para participarem do 74º Congresso da FIFA em Bangcoc, um evento crucial para a governança do futebol mundial. A decisão, tomada às vésperas do encontro, impede que os dirigentes palestinos participem das votações e debates que definirão os rumos da entidade, incluindo a eleição do Comitê de Auditoria e Compliance. A negativa ocorre em um momento de intensa pressão política sobre a FIFA, com a PFA buscando sanções contra a Associação de Futebol de Israel por supostas violações dos estatutos da entidade, relacionadas à inclusão de clubes de territórios ocupados em suas ligas nacionais.
Os três dirigentes barrados são figuras-chave da estrutura do futebol palestino. A recolta canadense, que é anfitriã do congresso por sediar a sede da FIFA nas Américas, não divulgou publicamente os motivos específicos para a negação dos vistos. A situação coloca a FIFA em um embaraço logístico e diplomático, uma vez que a participação de todas as suas 211 associações membros é um princípio fundamental de seus congressos. A ausência forçada da delegação palestina pode influenciar o equilíbrio de forças em votações sensíveis e levanta questões sobre a neutralidade política do esporte.
O episódio amplifica a crise institucional que se arrasta há meses. A PFA já havia apresentado uma moção para suspender Israel da FIFA, acusando-o de violar os artigos que proíbem associações membros de jogar em territórios de outra associação sem aprovação. A negativa de vistos, efetivamente silenciando uma das partes no conflito durante o congresso, introduz um novo elemento de tensão geopolítica no evento. O caso testa os limites da autonomia do futebol frente a decisões de política externa de países-sede e pode estabelecer um precedente perigoso para futuros encontros da entidade máxima do futebol.