Planalto escala ministro para capitalizar Operação Master, mas aliados temem dano eleitoral
O Palácio do Planalto orquestrou uma ação de comunicação para tentar transformar um escândalo financeiro em vitória política. A entrevista do ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e de diretores da Polícia Federal sobre a operação que prendeu o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique, foi um pedido direto do ministro da Secom, Sidônio Palmeira. A estratégia, revelada por fontes, foi usar as investigações do Banco Master para exaltar as ações do Executivo no combate ao crime organizado. O movimento, porém, nasce de um temor concreto entre aliados do governo: o impacto que o caso pode ter na disputa eleitoral deste ano.
Embora as investigações não tenham, até agora, revelado implicações diretas de integrantes do governo, a preocupação no núcleo político é real. Aliados do presidente Lula, como o presidente nacional do PT, Edinho Silva, já apontam publicamente que as repercussões do escândalo do Master têm influência na queda da popularidade do presidente. A tentativa de controle de danos por meio da comunicação oficial sinaliza que o governo reconhece o risco político embutido no caso, mesmo sem envolvimento direto.
O dilema do Planalto é claro: como capitalizar uma operação policial de alto nível sem que o desgaste da crise bancária contamine a imagem do governo. Enquanto a Secom tenta moldar a narrativa, a decisão sobre a manutenção da prisão de Paulo Henrique segue com a Segunda Turma do STF, mantendo o caso no centro do noticiário e da disputa política. A pressão eleitoral transforma cada desenvolvimento jurídico em um potencial ponto de tensão para a base governista.