Allbirds, a ex-estrela do Vale do Silício, vira ativo por US$ 39 mi e anuncia pivot radical para IA
A Allbirds, a marca de tênis de lã que se tornou o símbolo do boom de capital de risco da década passada, anunciou uma mudança de rumo radical: após vender todos os seus ativos por uma fração mínima de seu valor histórico, a empresa agora declara que vai 'pivotar seus negócios' para inteligência artificial. A decisão chega apenas um mês após a empresa concordar em vender sua operação de calçados por meros US$ 39 milhões para uma gestora de marcas – um valor que representa menos de 1% da avaliação de US$ 4 bilhões que já ostentou após seu IPO em 2021. O anúncio oficializa o fim de uma era para a 'queridinha do Vale', que nunca conseguiu converter seu apelo de nicho em lucratividade ou uma base de clientes massiva.
A pivot para IA não surge do zero. Junto ao comunicado sobre a nova direção, a Allbirds revelou que um investidor não identificado concordou em injetar US$ 50 milhões na empresa. O capital fresco, no entanto, não será usado para fabricar tênis, mas para financiar a transição rumo a um modelo de negócios centrado em inteligência artificial. Os detalhes sobre qual segmento de IA a empresa pretende explorar ainda não foram divulgados, mas a mudança sinaliza uma tentativa desesperada de reinvenção após anos de prejuízos e uma queda vertiginosa no valor de mercado.
O caso da Allbirds se torna um estudo emblemático dos riscos do hype do venture capital e da dificuldade de escalar um produto de culto. A empresa, que chegou a valer bilhões na bolsa, agora efetivamente abandona sua razão de ser original. A pivot levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo de negócios de diversas 'unicórnios' do consumidor que surgiram na mesma época, e coloca sob escrutínio a próxima fase da empresa: será que US$ 50 milhões e um plano vago de IA são suficientes para resgatar os restos de uma marca que já foi sinônimo de sucesso no Silício?