PGR pede condenação de cinco conselheiros do TCE-RJ por esquema da Lava Jato
A Procuradoria-Geral da República moveu-se para condenar cinco membros do próprio órgão fiscalizador do Rio de Janeiro. A ação judicial, ligada à Operação Lava Jato, coloca sob foco direto os conselheiros Domingos Brazão, Aloysio Neves Guedes, José Gomes Graciosa, José Maurício Nolasco e Marco Antônio Alencar, todos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A acusação formal da PGR representa um ataque direto à cúpula da instituição responsável por auditar as contas públicas fluminenses, sugerindo uma infiltração profunda do esquema de corrupção no núcleo do controle interno do estado.
O pedido de condenação detalha o alegado envolvimento dos cinco conselheiros no esquema de corrupção revelado pela força-tarefa da Lava Jato. A ação judicial não se limita a figuras políticas ou empresariais, mas avança sobre os magistrados de contas que, em tese, deveriam ser a última barreira contra desvios. A identidade dos réus – todos ocupantes de cargos vitalícios e de alta autoridade – amplifica o impacto da denúncia, projetando a sombra da operação sobre um pilar fundamental da administração estadual.
A condenação dos conselheiros, se confirmada, representaria uma das mais severas punições a um tribunal de contas no país, com implicações diretas para a credibilidade do sistema de fiscalização em todo o Rio de Janeiro. O caso expõe o risco de captura de órgãos de controle, onde os responsáveis por coibir irregularidades passam a integrar o esquema. O desfecho judicial agora pressiona não apenas os acusados, mas a própria estrutura do TCE-RJ, forçando um exame sobre sua autonomia e a eficácia de seus mecanismos internos de supervisão, em um momento crítico para as finanças públicas do estado.