Coronel da PM de SP deixa comando após ser citado em inquérito sobre PCC e escolta ilegal
O comando da Polícia Militar de São Paulo sofre uma baixa de alto escalão após um oficial ser citado em investigações sobre o Primeiro Comando da Capital. O coronel Paulo Coutinho, que chefiava o Comando de Policiamento de Área (CPA) 9, entregou o cargo nesta quarta-feira. A saída ocorre após seu nome ter surgido no depoimento de um PM preso, que confessou realizar escoltas ilegais para dirigentes da empresa Transwolff, supostamente ligados à facção criminosa.
O caso expõe uma possível infiltração de interesses do crime organizado na estrutura policial paulista. O PM preso, identificado como soldado PM-2, admitiu à Polícia Civil que integrava uma equipe que fazia a segurança de executivos da transportadora Transwolff, investigada por supostas conexões financeiras com o PCC. Em seu depoimento, o militar citou o nome do coronel Coutinho, embora as circunstâncias exatas da menção e o possível envolvimento do oficial superior ainda não tenham sido totalmente esclarecidos pelas autoridades.
A movimentação coloca sob forte pressão a cúpula da PM-SP, que agora precisa conter os danos à imagem da corporação e investigar a extensão do problema. A saída do coronel, tratada como um pedido de exoneração, sinaliza uma reação imediata do comando para isolar a crise. O episódio levanta sérias questões sobre a vulnerabilidade da instituição a cooptações e a existência de rotinas operacionais desviadas para servir a interesses privados de investigados. O inquérito, que corre em sigilo, deve apurar se houve um esquema sistemático de proteção policial paga.