Petroleiras lucram US$ 23 bi extras em 30 dias com bloqueio no Estreito de Ormuz
Um bloqueio geopolítico se transformou em um lucro extraordinário para as maiores petroleiras do mundo. Um levantamento da Global Witness, com base em dados da Rystad Energy, revela que as 100 maiores empresas de petróleo e gás obtiveram pelo menos US$ 23 bilhões em lucros adicionais apenas no primeiro mês de conflito no Oriente Médio. O cálculo considera o impacto direto da disparada dos preços do petróleo, pressionada pela interrupção parcial do tráfego no estratégico Estreito de Ormuz, passagem vital para cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás.
O estudo, publicado originalmente pelo The Guardian, destaca que os ganhos reais podem ter sido muito maiores, já que a análise cobre apenas os primeiros 30 dias do conflito. O bloqueio durou quase dois meses, até a reabertura anunciada pelo Irã nesta sexta-feira (17). Entre as empresas com maior exposição e, portanto, maior benefício deste ciclo de alta, estão gigantes como a Saudi Aramco, a ExxonMobil, a Chevron e a russa Gazprom. A Petrobras (PETR4) também figura na lista das que capturaram parte desses ganhos extraordinários.
O episódio expõe a vulnerabilidade do mercado global de energia a choques geopolíticos em pontos de estrangulamento logístico e como essas tensões se convertem rapidamente em resultados financeiros excepcionais para as grandes players do setor. A magnitude dos lucros extras em um período tão curto coloca as petroleiras sob um novo tipo de escrutínio, levantando questões sobre a distribuição dos custos e benefícios em crises que afetam toda a economia mundial.