Durigan alerta EUA: investigação comercial do Brasil 'não pode ser teatro' para tarifas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, acendeu um sinal de alerta direto em Washington, afirmando que a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil “não pode servir como um teatro” para justificar a imposição de tarifas. A declaração, feita à imprensa na capital americana, marca uma postura pública de resistência do governo brasileiro, que busca evitar uma escalada protecionista sob o guarda-chuva da Seção 301 da lei comercial dos EUA.
A investigação foi aberta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em julho do ano passado, citando uma série de práticas brasileiras como alvo. O escrutínio abrange desde o sistema de pagamentos Pix e questões de desmatamento ilegal até a proteção à propriedade intelectual e decisões regulatórias. Durigan afirmou esperar que todos os pontos levantados pelos EUA e já respondidos pelo Brasil sejam “devidamente considerados”, indicando que o diálogo técnico já ocorreu e que agora a pressão é política.
O tom do ministro reflete a tensão subjacente em uma relação comercial crucial. A Seção 301 é o mesmo instrumento usado pelos EUA para impor tarifas pesadas contra a China, tornando qualquer investigação sob esse estatuto uma ameaça comercial concreta. A menção específica ao Pix, uma ferramenta financeira doméstica de sucesso, revela como inovações nacionais podem se tornar alvo de disputas geoeconômicas. O desfecho deste processo coloca sob risco não apenas setores específicos, mas a estabilidade do fluxo bilateral de comércio e investimentos.