Ministro da Fazenda Dario Durigan alerta: classificar CV e PCC como terroristas pode abalar mercado e turismo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou preocupação direta com os impactos econômicos da possível classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Em declaração nesta sexta-feira, 17, Durigan afirmou que a medida "não parece devida" e alertou que ela "pode ter impacto no mercado financeiro, pode ter impacto no turismo e acho isso ruim". A posição do ministro coloca em evidência o conflito entre a visão de segurança internacional e os cálculos de estabilidade econômica do governo Lula.
A fala de Durigan reflete a posição oficial do governo brasileiro, que se opõe à designação terrorista para as duas maiores facções criminosas do país. O temor central é que tal classificação por uma potência como os EUA desencadeie uma série de sanções financeiras e restrições comerciais, além de assustar investidores e turistas estrangeiros. O ministro da Fazenda, portanto, atua como a voz dos riscos econômicos dentro do Palácio do Planalto, sinalizando que a prioridade, neste momento, é proteger os indicadores de mercado e o fluxo de capitais.
O impasse coloca o Brasil sob pressão geopolítica, forçando o governo a equilibrar uma narrativa de soberania e controle interno do crime organizado com a realidade das relações financeiras globais. A resistência de Durigan evidencia que, para o Ministério da Fazenda, o custo de uma rotulagem internacional como 'terrorista' supera os benefícios simbólicos ou de segurança. A decisão final dos EUA, portanto, não é apenas uma questão de política externa ou segurança, mas um fator de risco concreto para a economia brasileira, com potenciais reverberações no câmbio, nos investimentos e na imagem do país no exterior.