Petrobras corta 10% do fornecimento de diesel às distribuidoras para maio, pressionada por preços internacionais
A Petrobras voltou a reter parte do fornecimento de diesel para o mercado interno, deixando de atender cerca de 10% do volume demandado pelas grandes distribuidoras para entregas previstas em maio. A medida reflete uma estratégia da estatal para evitar importações do combustível em um momento de preços elevados no mercado internacional, conforme fontes do setor ouvidas sob anonimato. Esta é mais uma instância de ajuste no abastecimento, sinalizando pressão contínua sobre os fluxos domésticos.
As negativas de atendimento total, que giram em torno de 10% do volume solicitado, foram confirmadas por duas fontes de empresas distribuidoras diferentes. Os pedidos das distribuidoras são baseados em contratos estabelecidos com a Petrobras nos últimos três meses e passam por ajustes periódicos. A decisão ocorre no mesmo momento em que a companhia passa por uma renovação em seu Conselho de Administração, com quatro novas indicações aprovadas pelos acionistas.
A manobra da Petrobras coloca pressão direta sobre a cadeia de distribuição de combustíveis no Brasil, transferindo o risco de escassez e custos mais altos para as empresas que abastecem postos de gasolina. Enquanto tenta blindar suas margens da volatilidade global, a petroleira sinaliza que a prioridade é a gestão financeira, mesmo que isso implique em restrições ao mercado interno. O setor de combustíveis acumula ganhos extraordinários com a alta do petróleo, mas a estratégia defensiva da estatal revela os limites de sua capacidade de amortecer o consumidor final contra os choques externos.