Fintech Cartos, investigada no caso Master, tem elo com esquema de MC Ryan e fraudes no INSS
A fintech Cartos Sociedade de Crédito Direto SA está sob fogo cruzado de múltiplas investigações, revelando uma rede de conexões que vai de celebridades a fraudes bilionárias. A empresa, já alvo da CPI das Apostas Esportivas (CPI das Bets), agora também figura na mira da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O elo mais recente e midiático aponta para uma ligação com o esquema do falecido funkeiro MC Ryan, morto em 2021, cuja investigação envolve lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas.
A conexão com o caso do funkeiro coloca a Cartos no centro de um cenário que mistura o submundo do crime organizado com o sistema financeiro formal. A Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal, apura um prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos por meio de fraudes em benefícios previdenciários. A suspeita é de que a fintech possa ter sido utilizada como um canal para movimentar ou ocultar recursos desviados, embora a natureza precisa de seu envolvimento ainda esteja sob apuração.
A exposição simultânea a duas frentes de investigação de alto impacto — uma parlamentar e outra policial — coloca a Cartos sob uma pressão institucional extrema. A CPI das Bets examina o fluxo de pagamentos no setor de apostas, enquanto a PF vasculha operações financeiras ligadas ao INSS. Essa convergência de escândalos eleva significativamente o risco regulatório e reputacional para a fintech, que agora precisa responder a questionamentos sobre sua governança e os controles sobre a origem dos recursos que transitam por sua plataforma. O caso sinaliza um aperto no cerco a empresas do setor fintech que operam em zonas cinzentas da regulação.