Lecanemabe: Novo remédio para Alzheimer chega ao Brasil em junho com preço de R$ 11 mil por mês
Um novo medicamento para retardar a progressão do Alzheimer chegará ao mercado brasileiro em junho com um preço que ultrapassa R$ 11 mil por mês. O Lecanemabe, aprovado pela Anvisa em dezembro, representa um avanço terapêutico, mas seu custo coloca um acesso imediato sob forte pressão financeira para pacientes e famílias. O valor base, sem impostos, é de R$ 8.108,94, mas com a aplicação de uma alíquota de ICMS de 18%, comum na maioria dos estados, o preço final ao consumidor sobe para R$ 11.075,62.
O medicamento, desenvolvido pela farmacêutica Biogen, é um produto biológico que atua sobre as protofibrilas de beta-amiloide, formas tóxicas da proteína que se acumulam no cérebro e causam a morte de neurônios. Segundo Tatiana Branco, diretora médica da Biogen no Brasil, o principal diferencial do Lecanemabe é seu duplo mecanismo de ação: ele não apenas remove a porção tóxica da proteína já presente, mas também retarda a formação de novos agregados.
A chegada do tratamento levanta questões urgentes sobre sua incorporação ao sistema de saúde. O alto custo mensal coloca o remédio fora do alcance da grande maioria da população, dependente do SUS ou de planos de saúde. A pressão agora recai sobre a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) para avaliar sua eficácia, custo-efetividade e a viabilidade de fornecimento público. A decisão determinará se este avanço científico se tornará uma realidade acessível ou permanecerá um tratamento de elite no combate ao Alzheimer no Brasil.