CSIC usa IA e satélites para desvendar a degradação do Mar Menor em detalhe sem precedentes
Uma reconstrução científica inédita, liderada pelo Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha, está a desvendar a história ambiental do Mar Menor com um nível de detalhe nunca antes alcançado. A chave para este avanço é a combinação de inteligência artificial com uma década de imagens de satélite, permitindo mapear a evolução e a degradação deste ecossistema costeiro crítico com precisão milimétrica. Esta abordagem tecnológica está a transformar radicalmente os métodos de monitorização ambiental, oferecendo uma visão temporal clara de como a lagoa mudou.
O projeto, que analisou quase dez anos de dados, utiliza algoritmos de IA para processar e interpretar a vasta quantidade de informação captada do espaço. Esta metodologia permite identificar padrões, alterações na qualidade da água, movimentação de sedimentos e outros parâmetros ecológicos que antes eram difíceis ou impossíveis de quantificar de forma contínua e abrangente. A reconstrução fornece uma linha do tempo objetiva da pressão ambiental sobre o Mar Menor, um corpo de água salgada que tem sofrido episódios graves de eutrofização e mortandade de fauna.
Os resultados deste mapeamento detalhado representam uma ferramenta poderosa para cientistas e, potencialmente, para gestores públicos. Ao documentar com precisão a trajetória da degradação, o trabalho do CSIC estabelece uma base factual sólida que pode orientar políticas de recuperação e impor maior rigor na avaliação de impactos. A técnica pioneira, que alia tecnologia espacial a inteligência artificial, sinaliza um novo patamar na vigilância de ecossistemas sensíveis, podendo ser replicada noutras zonas costeiras sob pressão em todo o mundo.