Irã e EUA enviam delegações ao Paquistão para negociações tensas, apesar de ameaças e desconfiança
Apesar de uma troca pública de ameaças e sinais contraditórios, Estados Unidos e Irã deram passos concretos para retomar um diálogo de alto risco no Paquistão. A Casa Branca confirmou a chegada do vice-presidente americano, J.D. Vance, a Islamabad nesta terça-feira, 21, enquanto autoridades iranianas afirmaram que o presidente do Parlamento, Mohammad Qalibaf, também comparecerá. O movimento ocorre após o presidente Donald Trump estabelecer um prazo rígido, declarando que uma trégua vigora apenas até a noite de quarta-feira, 22, e que sua extensão é "altamente improvável" sem um acordo concreto.
A nova rodada de negociações em Islamabad está profundamente envolta em incertezas e desconfiança mútua. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, emitiu declarações ambíguas, afirmando que a continuação do conflito "não beneficia ninguém", mas imediatamente após alertou sobre uma "profunda desconfiança histórica" pairando sobre os próximos encontros. Este clima de tensão foi exacerbado por ameaças trocadas publicamente entre os dois países no domingo anterior, criando um cenário volátil para a diplomacia.
Em conversas privadas, autoridades iranianas expressam ceticismo sobre as intenções americanas, refletindo a fragilidade do processo. A presença de figuras de alto escalão como Vance e Qalibaf indica a seriedade do momento, mas também eleva as apostas. O prazo imposto por Trump transforma as conversas em uma corrida contra o relógio, onde o fracasso em produzir um avanço tangível até quarta-feira pode rapidamente reverter para um novo ciclo de hostilidades, aumentando a pressão sobre os negociadores em Islamabad.