Eneva (ENEV3): Como a Root Capital apostou na quase falência da MPX de Eike Batista e venceu
A Eneva, hoje uma gigante do setor elétrico brasileiro, foi comprada por uma gestora de investimentos quando estava à beira do colapso. A oportunidade surgiu após a antiga MPX, controlada por Eike Batista, quebrar com os custos de uma usina termelétrica explodindo além do previsto. Um banco internacional, detentor de dívidas da empresa, buscou desfazer sua posição a qualquer custo, criando uma abertura para um movimento ousado.
Foi nesse momento que a Root Capital entrou. Rafael Fritsch, sócio e gestor da firma, revelou que a gestora adquiriu os papéis da MPX por cerca de 30% de seu valor original. A lógica por trás da aposta era direta e fundamentada: a usina em questão estava quase concluída e já possuía contratos garantidos de venda de energia com o sistema nacional. O cálculo de risco era ainda mais atraente porque o valor do ativo cobria mais do que o dobro do total da dívida da empresa, oferecendo uma margem de segurança considerável.
A operação, um clássico caso de 'value investing' em uma situação de estresse extremo, transformou uma empresa falida em um dos maiores players do setor. O episódio expõe como crises profundas em grandes grupos, especialmente aquelas ligadas a figuras como Batista, podem criar janelas únicas para investidores com estômago para riscos calculados. A história serve como um estudo de caso sobre a identificação de valor em ativos reais subjacentes, mesmo quando a estrutura corporativa e a reputação do controlador estão em frangalhos.