Diretor científico do programa PEPFAR deixa cargo e ataca política de ajuda externa de Trump
O médico infectologista Mike Reid, diretor científico do Plano de Emergência do Presidente para o Alívio da Aids (PEPFAR), renunciou ao cargo nesta semana e publicou uma crítica aberta à forma como a administração Trump tem tratado a assistência externa. Em artigo publicado em seu Substack na segunda-feira, Reid afirmou que permaneceu nos últimos 18 meses tentando preservar os programas ameaçados, mas que o financiamento necessário simplesmente não chegou. O agora ex-diretor acusou o governo de usar a ajuda humanitária como instrumento de alavancagem para interesses comerciais dos Estados Unidos, abandonando o compromisso histórico do programa com nações africanas em desenvolvimento.
O PEPFAR, iniciativa bipartidária criada durante o governo George W. Bush, é considerado um dos maiores programas de saúde global já implementados. Após o desmantelamento da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID) pelo presidente republicano Donald Trump no ano passado, autoridades haviam assegurado que o trabalho de combate ao HIV/Aids em países em desenvolvimento continuaria. No entanto, a saída de Reid expõe uma fissura interna de alto nível: o cargo científico, responsável pela integridade técnica do programa, foi ocupado interinamente por um servidor sênior do Departamento de Estado sem experiência específica na área.
A renúncia reacende preocupações sobre a continuidade de tratamentos e prevenção em nações que dependem criticamente do financiamento norte-americano para combater a epidemia. Especialistas em saúde global apontam que a combinação do corte estrutural na USAID com a ausência de liderança técnica qualificada no comando do PEPFAR pode comprometer metas estabelecidas há décadas. A situação coloca a administração Trump sob crescente escrutínio internacional, especialmente entre aliados e organizações multilaterais que consideram o programa um modelo de cooperação sanitária.