Estudo do Ipea: quem trabalha 44 horas na escala 6x1 recebe até 58% menos por hora; reduzir jornada teria impacto limitado para empresas
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) trouxe dados que complicam a defesa da escala 6x1 no Brasil: trabalhadores submetidos à jornada de 44 horas semanais recebem, proporcionalmente, até 58% menos do que funcionários em esquemas com carga horária reduzida. A análise desafia o argumento de que empresas não conseguiriam absorver a redução da jornada sem perda de competitividade ou demissões em massa.
O estudo comparou a remuneração hora-trabalhada entre diferentes regimes de carga horária e identificou que, além da disparidade salarial, a produtividade por hora não justifica a extensão da semana de trabalho. O Ipea argumenta que, em diversos setores, o excesso de horas não se traduz em eficiência, mas em fadiga,turnover elevado e custos sociais que impactam o próprio empregador. A pesquisa sugere que a redução da jornada para 40 horas semanais — com distribuição mais equilibrada dos dias de trabalho — poderia ser implementada sem rombos significativos nas contas das empresas.
O levantamento ganha relevância no momento em que o Congresso Nacional analisa propostas de reforma trabalhista que incluem a redução da carga horária semanal.setores como comércio, serviços e indústria manufacturera são os mais afetados pela cultura da escala 6x1, onde o sexto dia de trabalho frequentemente é remunerado com adicional menor ou simplesmente incorporado como dia normal sem compensação. O debate mobiliza centrais sindicais, entidades patronais e pesquisadores, com posicionamento dividido entre aqueles que veem na mudança um avanço social e os que alertam para riscos econômicos em cenário de frágil recuperação econômica.