Lafarge condenada por financiar terrorismo na Síria: ex-CEO Bruno Lafont pega 6 anos de prisão
O tribunal criminal de Paris pronunciou nesta segunda-feira, 13 de abril, uma sentença que marca um precedente histórico para o setor corporativo global. A Lafarge, gigante francesa do cimento hoje integrada ao conglomerado suíço Holcim, foi considerada culpada pelo pagamento sistemático de milhões de euros a grupos jihadistas operando na Síria durante a guerra civil do país (2011-2024). A decisão expõe, pela primeira vez em tal magnitude, o envolvimento direto de uma grande multinacional ocidental no financiamento de organizações terroristas reconhecidas internacionalmente.
A corte parisiense condenou oito ex-diretores da empresa, incluindo o ex-diretor-executivo Bruno Lafont, que recebeu pena de seis anos de prisão com início imediato do cumprimento. As investigações revelaram que a Lafarge efetuou pagamentos a três organizações jihadistas — entre elas o autodenominado Estado Islâmico — totalizando aproximadamente 5,6 milhões de euros. O objetivo era garantir a continuidade das operações da fábrica de cimento de Jalabiya, no norte da Síria, mesmo sob domínio territorial desses grupos armados. Documentos internos da empresa, citados no processo, indicam que executivos de alto nível estavam cientes e aprovaram os repasses.
A condenação eleva a pressão sobre multinacionais que operam em zonas de conflito ao redor do mundo e pode reconfigurar padrões de due diligence e governança corporativa em regiões de alto risco. Especialistas jurídicos alertam que o caso abre precedente para ações similares contra outras empresas com atividades em territórios sob controle de grupos armados. A Lafarge, por sua vez, enfrenta agora a perspectiva de multas pesadas e danos reputacionais irreversíveis em um mercado que exige cada vez mais transparência sobre cadeias de valor.