Justiça Arbitral afasta John Textor da SAF do Botafogo e suspende assembleia que definiria rumos do clube
O Tribunal Arbitral da Fundação Getúlio Vargas (FGV) decidiu afastar John Textor do comando da SAF do Botafogo, num movimento que expõe uma fissura profunda na estrutura de controle do empresário norte-americano sobre seus ativos futebolísticos. A deliberação decorre de uma notificação oficial feita pela Eagle Bidco — veículo que concentra as participações em Botafogo e Lyon — diretamente à câmara arbitral, sinalizando uma ruptura entre o acionista controlador e a subsidiária que opera os clubes.
A tensão, porém, tem raízes mais antigas. Embora Textor exerça influência sobre a Eagle Football Holdings — holding mãe do grupo —, ele não possui poderes de agência sobre a Eagle Bidco. Quem controla essa estrutura é a Cork Gully, firma britânica de consultoria em reestruturação financeira e operacional. A empresa foi escolhida pelo fundo Ares, credor da Eagle Bidco, durante um processo conduzido na Inglaterra. A Cork Gully foi inclusive responsável pelo anúncio de venda da SAF publicado no Financial Times, o que sugere que o processo de alienação dos ativos estava em curso bem antes da intervenção arbitral.
O ponto crucial é que o processo na arbitragem não possui natureza judicial, o que significa que Textor está impedido de recorrer por vias tradicionais. Uma revisão da decisão depende de uma manifestação da empresa marcada para o dia 29. Até lá, a Assembleia Geral Extraordinária programada para o dia 27 — que deveria deliberar sobre os destinos da SAF — está suspensa. A situação coloca em xeque não apenas o controle acionário do Botafogo, mas também a governança de um modelo societário que tem sido replicado em outros clubes brasileiros.