Transparência Internacional questiona J&F e JBS sobre transferência de R$ 11,5 bilhões sob risco de lavagem de dinheiro
A Transparência Internacional – Brasil elevou o tom das críticas contra o grupo J&F e a processadora de alimentos JBS após a revelação de que as empresas dos irmãos Wesley e Joesley Batista teriam transferido R$ 11,5 bilhões a uma advogada que, segundo apuração do Estadão, registrava operações com indicadores compatíveis com movimentações de alto risco para lavagem de dinheiro. A ONG considerou inadmissível que mecanismos internos de compliance tenham permitido contratações nessas condições, e voltou-se diretamente contra o sistema de governança corporativa dos controladores da JBS.
A questão central gira em torno de como contratos dessa magnitude passaram por triagens internas de integridade sem acionar alertas antipropagação. O caso reacende o escrutínio sobre a estrutura societária da J&F, holding que concentra participações em diversos setores, e sobre a eficácia real dos programas de compliance adotados por grupos com histórico de acordos de leniência no Brasil. A Transparência Internacional argumentou que padrões internacionais de integridade corporativa exigem due diligence rigorosa sobre terceiros com risco elevado, e que a mera existência formal de programas de conformidade não basta se os controles não são efetivamente aplicados.
O episódio aumenta a pressão sobre a reputação dos irmãos Batista junto ao mercado financeiro e ao poder regulatório. Setores atentos a riscos de reputação e compliance acompanham desdobramentos com cautela, especialmente após o histórico da operação Lava Jato envolvendo a JBS. Ainda não há posicionamento definitivo sobre eventual responsabilização das empresas, mas o questionamento da Transparência Internacional tende a ampliar o debate sobre a fiscalização de contratos de alto valor com terceiros.