Governo Lula liberou R$ 2,4 bilhões em emendas a senadores semanas antes de sabatina de Zanatto ao STF
O Palácio do Planalto ejecutou, em abril, a liberação de R$ 2,4 bilhões em emendas parlamentares a senadores, num movimento que fontes do próprio Executivo admitem como parte de uma estratégia para garantir apoio à indicação de Cristiano Zanatto à vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. A movimentação financeira ocurrió enquanto o governo travava negociações tensas nos bastidores do Senado para evitar uma possível rejeição do nome do juiz federal.
A operação foi revelada por aliados do Palácio que falam sob condição de anonimato. Segundo esses relatos, a articulação envolveu líderes governistas e a liderança do Senado, num esforço concentrado nas semanas que antecederam a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça. A liberação de emendas a parlamentares com potencial de voto contra a indicação foi interpretada internamente como um sinal de alarme sobre a fragilidade da candidatura.
A estratégia levanta cuestionamentos sobre a relação entre a distribuição de recursos públicos e o processo de indicações ao STF, tribunal que exerts funções de controle constitucional e julgamento de casos de alta relevância política. O episódio intensifica o escrutínio sobre práticas de governabilidade no atual mandato, num momento em que a Casa já enfrenta pressões por maior transparência em suas relações com o Congresso.