R$ 2,3 bilhões em emendas liberadas entre marcação e sabatina de Jorge Messias no STF gera pressão sobre transparência
O governo federal elevou drasticamente a liberação de emendas parlamentares ao Senado no intervalo entre a marcação e a realização da sabatina do advogado-geral da União Jorge Messias, indicado a uma vaga no Supremo Tribunal Federal. De 10 de abril — um dia após a data da sabatina ser definida — até a votação, o valor total de emendas empenhadas, incluindo individuais, de comissões do Senado e da Comissão Mista do Congresso, atingiu R$ 2,3 bilhões. A coincidência temporal entre a aceleração dos repasses e o calendário da indicação elevou a pressão sobre a transparência do processo de confirmação.
Entre os principais beneficiários está o senador Weverton Rocha (PDT-MA), aliado de primeira hora do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Rocha ocupou a relatoria da indicação de Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), posição estratégica para conduzir o andamento da pauta. Como a votação foi secreta, não há como identificar quais parlamentares rejeitaram a indicação. A estrutura do próprio processo — que combinou recursos liberáveis em volume expressivo com um voto sem rastreabilidade — reforçou a dificuldade de estabelecer responsabilização individual por eventuais posicionamentos.
Os números contrastam com anos anteriores: em 2024, o valor liberado no mesmo período chegou a R$ 2 bilhões corrigidos pelo IPCA. Já em 2023, o governo comprometeu R$ 7,9 bilhões em emendas no intervalo comparável — volume que, apesar de superior, ocorreu em um cenário orçamentário distinto. A disparidade entre o esforço de liberação atual e o resultado da sabatina mantém o caso sob scrutiny quanto ao papel dos repasses como instrumento de articulação política em indicações ao STF.