Venezuela volta a exportar mais de 1 milhão de barris de petróleo por dia sob controle dos EUA após queda de Maduro
As exportações de petróleo bruto da Venezuela atingiram 1,16 milhão de barris por dia em abril, o maior nível em sete anos, sinalizando uma recuperação acelerada menos de seis meses após a queda do regime de Nicolás Maduro. O dado, apurado pela Bloomberg a partir de relatórios de navegação, representa o terceiro mês consecutivo de alta e quase o dobro dos embarques registrados no final do ano passado — quando o país ainda operava sob sanções americanas rigorosas.
A velocidade da retomada se explica por uma mudança estrutural: desde que os Estados Unidos assumiram o controle das vendas de petróleo venezuelano no início deste ano, o fluxo de diluentes importados — insumos essenciais para tornar o petróleo pesado do país transportável por oleodutos — voltou a fluir de forma constante. Esse suprimento, que havia sido severamente restringido pelas sanções, permitiu que a produção se aproximasse de 1 milhão de barris por dia em março, o maior nível desde 2019. Sem os diluentes, o petróleo venezuelano é demasiado viscoso para circular pela infraestrutura existente.
A recuperação reacende interesse estratégico no setor energético global. A Venezuela detém as maiores reservas provadas de petróleo convencional do mundo, e a normalização de seus fluxos comerciais pode reconfigurar equações de oferta no mercado internacional. Ao mesmo tempo, a posição dos EUA como gestores das vendas coloca Washington em papel central sobre o destino da receita petrolífera venezuelana — e, por extensão, sobre a estabilidade política do país no período pós-transição.