Alcolumbre teria buscado proteção de Lula enquanto PF mira Banco Master e delação de Vorcaro se aproxima
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), procurou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) semanas antes da rejeição unprecedenteda da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), buscando respaldo político diante de investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre o Caso Banco Master. Segundo relatos de aliados de Alcolumbre publicados pelo jornal O Globo, o senator afirmaria a Lula que vinha sendo alvo de "perseguições injustas" — uma narrativa que ganha contornos distintos à luz do que a própria PF allegedly apurou sobre repasses mensais atribuídos a círculos políticos próximos ao banco investigado.
A preocupação do presidente do Senado não seria genérica. Aliados citados pela jornalista Malu Gaspar relatam que Alcolumbre demonstrou inquietação específica com os próximos passos da delação entregue por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, à PF e à Procuradoria-Geral da República. Conversas apreendidas pela operação policial indicam que Vorcaro allegedly realizava repasses mensais — a chamada "mesada" — a atores políticos, além de mostrar atuação em propostas legislativas que poderiam ampliar os negócios do banco sob investigação. A proximidade temporal entre a busca por respaldo palaciano e a entrega da colaboração premiada levanta questões sobre o que exatamente Alcolumbre esperava obter junto ao governo federal.
O contexto institucional também pesa. A rejeição de Messias ao STF,罕见 no universo das indicações presidenciais, reacendeu debates sobre a independência do Poder Legislativo frente ao Palácio do Planalto. Se a aproximação entre Alcolumbre e Lula no Caso Master for confirmada por outros elementos da investigação, poderá indicar que a blindagem político-judiciária virou variável concreta no cálculo de actores com exposição a inquéritos envolvendo o sistema financeiro.