Sherritt abandona joint venture em Cuba horas antes de sanções dos EUA contra setor de níquel cubano
A mineradora canadense Sherritt decidiu suspender sua participação direta na joint venture Moa Nickel S.A. (MNSA) em Cuba, informadamente horas antes de o Departamento de Estado dos EUA anunciar novas sanções direcionadas ao setor de metais e mineração cubano. A companhia já enviou comunicação formal solicitando a repatriação de seus funcionários que atuavam na ilha caribenha. A sincronia entre a saída da empresa e a ação punitiva americana sublinha a pressão exercida pelo governo Trump sobre atores internacionais que mantêm operações na economia cubana.
As sanções americanas atingiram diretamente a MNSA, o conglomerado militar-econômico Grupo de Administración Empresarial (GAESA) e Ania Guillermina Lastres Moreira, executiva sênior da GAESA. O Departamento de Estado alegou que as medidas fazem parte de uma campanha para confrontar ameaças à segurança nacional atribuídas ao regime cubano e para responsabilizar atores envolvidos na economia da ilha. A Sherritt, especializada na produção de níquel e cobalto, optou por se antecipar ao bloqueio, encerrando laços formais com a operação cubana antes que as restrições entrassem em vigor.
A decisão da Sherritt sinaliza o efeito dissuasório das sanções extraterritoriais dos EUA sobre empresas ocidentais com exposição a setores cubanos controlados pelo estado. O encerramento da MNSA representa a saída de um dos maiores investimentos estrangeiros remanescentes no setor mineiro cubano, levantando questões sobre o futuro da produção de níquel na ilha e o apetite de outras empresas internacionais por operações sob o guarda-chuva da GAESA. O caso também ilustra como o endurecimento da política externa americana em relação a Havana se traduz em pressões concretas sobre a infraestrutura econômica e os fluxos de capital extranjero que ainda sustentam o país caribenho.