Cozinheira de Bolsonaro é paga pelo PL com autorização judicial de Alexandre de Moraes
Uma funcionária doméstica que trabalha na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro recebe salário pago com verbas do Partido Liberal (PL), agremiação da qual o político é filiado. A manutenção do cargo contou com autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que liberou a permanência da trabalhadora no imóvel onde Bolsonaro está recolhido. A informação revela um arranjo institucional incomum: um servidor doméstico de um ex-presidente sob custeio partidário, com chancela judicial para atuar em um endereço que está sob monitoramento e restrições determinadas pela Corte.
A autorização de Moraes insere-se no contexto das medidas cautelares impostas a Bolsonaro, que enfrenta investigações relacionadas aos ataques de 8 de janeiro e ao golpe de Estado. O ministro, relator dos inquéritos que apuram as ações golpistas, tem competência para ditar as condições de cumprimento das restrições impostas ao ex-presidente, incluindo quem pode ou não circular em sua residência. O fato de uma empregada doméstica constar dessa lista de autorizações judiciais evidencia o grau de controle e acompanhamento a que Bolsonaro está submetido.
O uso de recursos do PL para remunerar a funcionária levanta questões sobre os limites entre o funcionamento partidário e o custeio de despesas pessoais de um ex-presidente investigado. O partido, presidido por Valdemar Costa Neto, tem sido o principal escudo político de Bolsonaro desde sua filiação em 2021. A revelação sobre o pagamento da cozinheira acrescenta uma nova camada ao debate sobre a relação entre estrutura partidária e benefícios diretos ao ex-chefe do Executivo, em um momento em que o PL também enfrenta escrutínio em investigações sobre financiamento de atos antidemocráticos.