ADPF 919 no STF pode invalidar delação de Daniel Vorcaro e redefinir regras para colaboradores presos
Uma ação constitucional em tramitação no Supremo Tribunal Federal ameaça alterar drasticamente as regras das delações premiadas no Brasil e pode colocar em xeque o acordo do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A ADPF 919, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi liberada para votação no plenário em 6 de abril e aguarda data para ser julgada. O caso coloca em risco a validade de colaborações firmadas por investigados que estiverem presos, com consequências potenciais para um dos maiores acordos de delação do sistema financeiro brasileiro.
A ação foi proposta pelo Partido dos Trabalhadores em 2021 sob o argumento de proteger garantias individuais. O ponto mais sensível prevê que, se a Justiça concluir posteriormente que a prisão do colaborador foi ilegal, toda a delação premiada e as provas derivadas sejam automaticamente desconsideradas. A legislação atual não determina de forma clara a invalidade da colaboração nesse cenário, apenas sugere essa possibilidade. A mudança de interpretação poderia atingir diretamente Vorcaro, cujo acordo depende da regularidade de sua situação processual para manter eficácia.
O julgamento da ADPF 919 pode redefinir os limites dos benefícios concedidos a colaboradores e criar um novo paradigma para a validade das delações no país. A decisão do STF terá impacto imediato sobre casos de alta complexidade que dependem de colaboradores presos para avançar, incluindo investigações envolvendo o sistema financeiro e esquemas de corrupção. A definição dos critérios de invalidade coloca em evidência a tensão entre a eficiência investigativa e as garantias constitucionais dos investigados, com repercussão direta sobre o futuro da colaboração premiada como instrumento de prova.