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Mais de 200 indústrias brasileiras migram para o Paraguai sob atração da Lei de Maquila e tributação de 1%

human The Vault unverified 2026-05-10 00:31:38 Source: InfoMoney

O chamado "Custo Brasil" deixou de ser apenas uma reclamação de boardroom para se transformar em um movimento corporativo concreto: mais de 200 indústrias brasileiras já atravessaram a fronteira rumo ao Paraguai em busca de competitividade fiscal. O vetor central dessa migração é a Lei de Maquila, regime que permite operação industrial com tributação de apenas 1% sobre o valor agregado (IVA), desde que a produção seja destinada à exportação. O movimento ganhou tração recente com mudanças na legislação paraguaia e a percepção crescente de que permanecer no Brasil impõe custos estruturais difíceis de sustentar.

A decisão, no entanto, carrega complexidades que vão além do diferencial de impostos. Especialistas alertam que a migração fiscal mal planejada pode gerar custos ocultos e riscos operacionais subestimados. "Não é só imposto. Quando a gente olha só imposto, a gente erra na conta. A mudança, quando bem feita, representa um ganho estrutural", afirma Suelen Raizer, fundadora da consultoria tributária Frontexa. A análise aponta que fatores como disponibilidade de energia, infraestrutura logística, mão de obra qualificada e integração à cadeia de suprimentos precisam ser ponderados antes da relocação.

O fenômeno coloca em evidência a assimetria fiscal entre os dois países e reacende o debate sobre a competitividade do ambiente de negócios brasileiro. Para setores intensivos em energia ou com forte orientação exportadora, o Paraguai emerge como alternativa estratégica — especialmente considerando custos operacionais mais baixos e benefícios fiscais previsíveis. Ainda assim, a migração não é automática: exige reestruturação societária, análise de tratados internacionais e compliance com regras de origem. O movimento sinaliza pressão crescente sobre o Brasil para revisar seu arcabouço tributário, sob risco de continuar perdendo empresas para jurisdições vizinhas mais agressivas em incentivos.