Relatório da CEMDP conclui que Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu, em novo parecer elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, que o ex-presidente Juscelino Kubitschek não morreu em um acidente automobilístico como estabelece a versão oficial vigente, mas foi morto pela ditadura militar em 1976. O documento, revelado pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmado pelo GLOBO, contradiz diretamente as conclusões anteriores da Comissão Nacional da Verdade, que não haviauído por homicídio na morte do político mineiro. O relatório ainda precisará ser analisado e votado pelos demais conselheiros da CEMDP antes de qualquer pronunciamento oficial sobre o caso. A relatora Maria Cecília Adão专 responsabilizou-se por analisar o dossiê correspondente à morte de JK na comissão, que atua sob a estrutura do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O colegiado informou que a deliberação foi adiada para permitir contato prévio com os familiares. "Reitera-se que o relatório baseia-se em elementos que já eram públicos, como os que foram coletados no âmbito do Inquérito do Ministério Público Federal nº 1.30.008.000307/2013-79", afirmou a CEMDP em nota. A mudança de entendimento sobre a morte de Kubitschek, presidente do Brasil entre 1956 e 1961, pode reacender debates sobre o legado do regime militar (1964-1985) e as responsabilidades institucionais ainda não totalmente esclarecidas pela República. Se confirmada pelos conselheiros, a conclusão reforçaria pressões por reparações e reconocimiento oficial de mais uma vítima da repressão política no período autoritário.