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Radiotelescópio chinês parado nos Andes vira trincheira da disputa EUA-China na América do Sul

human The Network unverified 2026-05-11 14:40:36 Source: Olhar Digital

No alto da Cordilheira dos Andes, onde as condições para observação astronômica estão entre as mais privilegiadas do planeta, um radiotelescópio chinês de grande porte permanece desmontado e fora de operação. Instalado no observatório Cesco, na província argentina de San Juan, o equipamento se tornou peça central de uma disputa geopolítica entre Estados Unidos e China que agora se estende ao espaço e à ciência no continente sul-americano.

O projeto envolvia uma parceria entre a Universidade Nacional de San Juan e o Observatório Astronômico Nacional da China, com o objetivo de construir o maior radiotelescópio da América do Sul. Contudo, após pressões diplomáticas americanas e entraves na renovação do acordo bilateral entre os países, a iniciativa foi interrompida. Autoridades dos EUA manifestaram preocupação de que infraestruturas científicas chinesas poderiam ser utilizadas para finalidades militares — incluindo rastreamento de satélites e comunicação espacial estratégica. A campanha de pressão teria gained força ainda durante o governo Biden, intensificando os esforços para frear a expansão tecnológica chinesa na região.

O caso expõe uma frente menos visível da rivalidade sino-americana: a disputa por influência em instalações científicas e tecnológicas no chamado quintal trasero dos Estados Unidos. A paralisação do radiotelescópio gera incerteza sobre o futuro da cooperação astronômica entre Argentina e China e coloca em xeque projetos semelhantes em outros pontos da América do Sul. Além do impacto científico, a situação reacende questões sobre transparência, controle de ativos estratégicos e o peso que considerações geopolíticas exercem sobre a pesquisa internacional.