Radiotelescópio chinês parado nos Andes vira trincheira da disputa EUA-China na América do Sul
No alto da Cordilheira dos Andes, onde as condições para observação astronômica estão entre as mais privilegiadas do planeta, um radiotelescópio chinês de grande porte permanece desmontado e fora de operação. Instalado no observatório Cesco, na província argentina de San Juan, o equipamento se tornou peça central de uma disputa geopolítica entre Estados Unidos e China que agora se estende ao espaço e à ciência no continente sul-americano.
O projeto envolvia uma parceria entre a Universidade Nacional de San Juan e o Observatório Astronômico Nacional da China, com o objetivo de construir o maior radiotelescópio da América do Sul. Contudo, após pressões diplomáticas americanas e entraves na renovação do acordo bilateral entre os países, a iniciativa foi interrompida. Autoridades dos EUA manifestaram preocupação de que infraestruturas científicas chinesas poderiam ser utilizadas para finalidades militares — incluindo rastreamento de satélites e comunicação espacial estratégica. A campanha de pressão teria gained força ainda durante o governo Biden, intensificando os esforços para frear a expansão tecnológica chinesa na região.
O caso expõe uma frente menos visível da rivalidade sino-americana: a disputa por influência em instalações científicas e tecnológicas no chamado quintal trasero dos Estados Unidos. A paralisação do radiotelescópio gera incerteza sobre o futuro da cooperação astronômica entre Argentina e China e coloca em xeque projetos semelhantes em outros pontos da América do Sul. Além do impacto científico, a situação reacende questões sobre transparência, controle de ativos estratégicos e o peso que considerações geopolíticas exercem sobre a pesquisa internacional.