Ex-secretário do governo Bolsonaro é contratado por associação têxtil após suspender tarifas antidumping que favoreciam setor
Um ex-secretário do governo Bolsonaro passou a atuar como lobista para uma associação de empresas do setor têxtil que foi diretamente beneficiada por medidas que ele próprio ajudou a suspender durante sua passagem pelo Executivo federal. O caso reacende o debate sobre a prática da 'porta giratória' entre reguladores e setores regulados no Brasil.
A investigação revela que, enquanto ocupava cargo na administração pública, o ex-secretário foi responsável por enterrar medidas antidumping — tarifas punitivas contra concorrência estrangeira desleal — que protegiam a indústria doméstica. Após deixar o governo, foi contratado justamente pela associação que reúne os players que mais se beneficiaram da decisão. O movimento levanta questões sobre conflito de interesses e tráfico de influência no ciclo entre público e privado.
Especialistas em governança e transparência apontam que esse tipo de trajetória alimenta a percepção de que o poder decisório no Executivo pode ser usado como moeda de troca para futuras oportunidades profissionais. A prática, recorrente em diversos setores, tem sido alvo de pressão por regulamentação mais rigorosa no país. O caso agora está sob scrutiny de órgãos de controle, que avaliam se houve violação de regras de incompatibilidade para ex-servidores de carreira.