Apostas consumiram R$ 360 bi em 2025 e disputam orçamento com comida na mesa dos brasileiros
O setor atacadista brasileiro encerrou 2025 com faturamento de R$ 616,6 bilhões, avanço real de 11% e participação de 55,9% no mercado de alimentos, bebidas, limpeza e higiene — números que por si só marcam uma consolidação estratégica do segmento. Mas o dado mais revelador do Ranking ABAD NielsenIQ 2026 não está nos balancetes do atacado: está na sangria que o jogo de azar vem causando no bolso do consumidor básico.
Em 2025, os brasileiros direcionaram aproximadamente R$ 360 bilhões para apostas e jogos, com 26% dos lares nacionais declarando participação regular — o dobro do registrado em 2024. A NielsenIQ aponta que parte desses apostadores passou a contingenciar despesas domésticas essenciais para manter o hábito de jogar, criando uma competição invisível com a compra de alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal. O fenômeno, segundo a consultoria, reconfigura o cenário de segurança alimentar e pressão sobre o varejo de proximidade.
O avanço do betting sobre o Orçamento familiar reverbera diretamente na dinâmica do atacado, que abastece supermercados, pequenos comércios, bares, farmácias e restaurantes. Com parte dos consumidores redirecionando renda para plataformas digitais de apostas, o setor enfrenta pressão adicional sobre a demanda por produtos básicos. A ABAD alertou que essa redistribuição de gastos pode comprometer volumes de venda e estratégias de reposição, especialmente entre consumidores de menor renda — justamente o público mais vulnerável a esse tipo de endividamento.