Pintura saqueada por nazistas é localizada em residência na Holanda após décadas oculta pela família de colaborador da SS
Uma obra de Toon Kelder desaparecida durante a ocupação nazista na Holanda foi localizada dentro de uma residência holandesa, onde permaneceu nas últimas décadas sob guarda de descendentes de Hendrik Seyffardt, general holandês ligado à Waffen-SS. A descoberta, conduzida pelo detetive de arte Arthur Brand, reacendeu o debate sobre a restituição de bens culturais pilhados durante a Segunda Guerra Mundial e expôs décadas de silêncio familiar sobre a procedência da peça.
O caso veio à tona após um homem buscar Brand e afirmar ter descoberto recentemente que a pintura "Retrato de uma Jovem" estava em posse de seus parentes desde o período da guerra. Conforme relato publicado pelo jornal holandês De Telegraaf, a família alterou o próprio sobrenome após o conflito e manteve em sigilo a trajetória do quadro ao longo de gerações. O homem declarou ter sentido vergonha ao tomar conhecimento da ligação da obra com o saque perpetrado pelo regime nazista.
O episódio ilustra as dificuldades persistentes na identificação e devolução de bens culturais desviados durante o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Mesmo quase oito décadas após o fim do conflito, centenas de obras permanecem com provenance obscura em coleções particulares e instituições. A localização da peça de Kelder coloca pressão sobre famílias e instituições que ainda detêm obras de origem não comprovada no período nazista, renovando apelos por transparência e iniciativas sistemáticas de rastreamento.