Diretor da PF citou 'mesadas' do jogo do bicho para cerca de 30 deputados da Alerj, afirma Gilmar Mendes
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, afirmou que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que cerca de 30 deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seriam beneficiários de recursos do jogo do bicho. A declaração, feita durante uma sessão do STF, coloca sob intenso escrutínio o núcleo do poder legislativo fluminense, sugerindo um esquema de pagamentos regulares – descritos como 'mesadas' – oriundos de uma das atividades ilícitas mais tradicionais e lucrativas do estado.
A revelação, ainda não confirmada oficialmente pela PF, aponta para uma possível rede de financiamento ilegal que teria como alvo direto parlamentares estaduais. A menção ao diretor-geral da PF como fonte da informação confere um peso institucional significativo à alegação, elevando-a de um mero rumor a uma questão de interesse direto da mais alta corte do país. O termo 'mesadas' implica um fluxo contínuo e previsível de dinheiro, indicando uma relação estabelecida e não um evento isolado.
O caso expõe uma interseção crítica entre crime organizado, corrupção política e a administração pública no Rio de Janeiro. Se confirmadas, as informações podem desencadear uma série de investigações formais, com potenciais desdobramentos que vão desde processos disciplinares na Assembleia até ações criminais no âmbito do STF. A situação coloca a Alerj sob pressão para se manifestar e pode reacender o debate sobre a influência de milícias e grupos do crime organizado nas estruturas de poder do estado, um tema recorrente na segurança pública brasileira.