Boulos acusa relator Augusto Coutinho de ceder a interesses das plataformas e travar regulamentação do trabalho por app
A promessa de campanha do presidente Lula para regulamentar o trabalho por aplicativo foi paralisada, e o governo aponta o dedo diretamente ao relator do projeto. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, acusou publicamente o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) de ter cedido aos interesses das grandes plataformas de entrega e transporte, tornando "impossível" o apoio do governo ao seu relatório. A acusação levou à suspensão imediata da votação da proposta, um dos principais compromissos trabalhistas do governo, que agora fica indefinidamente adiada.
O impasse expõe uma fratura política crucial dentro do Congresso e a intensa pressão do lobby das empresas de tecnologia. O relatório de Coutinho, que deveria ser o texto-base para a votação, foi considerado pelo Planalto como uma capitulação às demandas das plataformas, em detrimento dos direitos dos trabalhadores. A fala direta de Boulos, um ministro de alto escalão, transforma um desacordo técnico em um conflito político de alto nível, colocando o relator sob fogo cruzado.
A suspensão indefinida da votação representa um revés significativo para a agenda do governo Lula e mantém milhões de entregadores e motoristas em um limbo regulatório. O episódio demonstra o poder de fogo das plataformas para influenciar a legislação no Congresso e a dificuldade do Executivo em avançar sua pauta trabalhista em um ambiente parlamentar fragmentado. A pressão agora recai sobre a base governista para encontrar uma nova saída negociada, enquanto o tema, de alta sensibilidade social, permanece como uma bomba-relógio política.