Lula traça linha dura sobre terras raras: Brasil fará acordos, mas transformação será no país
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu uma condição clara para a exploração das reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos: o país está aberto a parcerias, mas a fase de transformação industrial desses recursos em produtos de alto valor agregado deve ocorrer em solo nacional. A declaração, feita em Barcelona ao lado do presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, sinaliza uma inflexão na política mineral, buscando evitar que o Brasil repita o modelo de exportação de matéria-prima bruta, como ocorreu historicamente com o minério de ferro.
Lula afirmou que o Brasil assinará acordos "com quem quiser construir, nos ajudar, levar tecnologia e compartilhar conosco". No entanto, foi enfático ao declarar que "ninguém, a não ser o Brasil, será dono das nossas riquezas minerais". O posicionamento direciona a negociação para um modelo de joint-venture ou transferência de tecnologia, onde o parceiro estrangeiro contribui com know-how, mas a industrialização e a maior parte da cadeia de valor permanecem no território brasileiro.
A estratégia coloca o Brasil em um campo geopolítico complexo, buscando atrair investimento e tecnologia de nações desenvolvidas — como possivelmente a Espanha e outros países da União Europeia — enquanto tenta reter soberania sobre recursos estratégicos essenciais para a transição energética global. O sucesso dependerá da capacidade de negociar termos que sejam atrativos para capitais e tecnologia externos, ao mesmo tempo em que se constrói capacidade industrial doméstica, um desafio que historicamente o país não conseguiu superar em setores minerais.